terça-feira, 28 de outubro de 2025

O fotografo Roberto Slomka explica a importância do professor Armando Azzari no despertar de seu amor pelo teatro

O teatro é uma forma rica de expressão. Pode acolher a dança, a poesia, a música, o canto, ou mesmo o silêncio. É uma arte completa.

Pra mim foi presença constante na vida. Desde as apresentações da escola infantil me lembro de amar todo o processo do fazer teatral. Desde criança assisto a teatro. Com 14, 15 anos ia assistir montagens de Tchekov (A Gaivota), Gogol (O Inspetor Geral), Beckett (Esperando Godot). Vi grandes autores, diretores e atores brasileiros em cena. E muita produção efêmera também. Peças que passam. Centros Culturais.

Durante toda minha adolescência fiz teatro no movimento juvenil judaico (tnuá). Cheguei a representar Deus falando com Moisés como uma sarça incandescente numa Messibah de Pessach. Eu iria entregar um cajado a Moisés, mas minha deixa era um trovão, e o sonoplasta dormiu no ponto. Depois de esperar alguns segundos totalmente imóvel, bati o cajado no chão e gritei "CABUUUM!". Era uma comédia mesmo… Até hoje tenho em minha cabeça o texto inteiro de "O Operário em Construção", poema de Vinícius de Moraes que apresentei com 17 anos no palco. Também criava e dirigia esquetes curtas, de até 20 minutos, sempre recheadas de improvisos. Essa prática toda me deu habilidades de comunicação que uso até hoje.

Participei de algumas companhias de teatro amador, desde a faculdade (1985), quando fomos dirigidos pelo saudoso Armando Azzari, que era ator, diretor, e professor de direção na ECA e de administração na FASP! Em 2009, mais ou menos, formamos um grupo de teatro na Associação dos Empregados do Serpro (ASES). Contratamos a atriz, professora e diretora Lika Ferraro para nos orientar. Montamos algumas peças que lotaram o auditório quando apresentadas, geralmente em duas ou três sessões, em dias diferentes.

Na foto: o elenco de "De Ovo de Cobra Só Sai Sogra", montagem da ASES em 2011. Agachada, a diretora Lika Ferraro. Isso me lembra que tenho que resgatar o vídeo dessa apresentação, editar, buscar as autorizações e publicar…

Usamos esse grupo de teatro para integração e mesmo para formação, em ações educativas corporativas. Era um grupo privado, pago com recursos da Associação dos Empregados, não pela empresa, e que se reunia em horário fora do expediente em sala cedida pela empresa, então era uma relação de troca, participar dessas ações corporativas. Em Recife um grupo de teatro (também no Serpro) chegou a fazer uma série de esquetes para engajamento dos desenvolvedores de software em práticas do modelo de qualidade (CMMi) que se estava implantando.

Teatro pode ser usado para inclusão social, para terapia ocupacional, para tratamento de depressão, para ressocialização de criminosos, para todo tipo de ação educacional. Teatro pode ser usado em casa para ajudar a educar os filhos. Não é preciso um proscênio, platéia, nem mesmo coadjuvantes.

A essa altura da resposta, preciso dizer que AMO o teatro?

 

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